Teses

GABRIEL, Sonaly Torres Silva. Na teia de Ananse: a contação de histórias como performance, com crianças, na escola. 2021. 245 f. Tese (Doutorado em Performances Culturais) – Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2021.
 

Resumo: Este trabalho apresenta um estudo sobre performances de contação de histórias, compartilhadas entre crianças e adultos, com o objetivo de investigar como essa experiência pode contribuir com o protagonismo infantil em ambientes escolares. Nesse sentido, foi desenvolvida uma pesquisa performativa, cujas práticas foram realizadas em duas escolas públicas na Região Metropolitana do Vale do Aço, em Minas Gerais – Brasil. A metodologia deste trabalho é eminentemente guiada-pela-prática e teve como aspectos metodológicos fundamentais: (i) a poética, a potência do corpo como primazia; (ii) os processos de criação, interação e transformação presentes nas performances e na pesquisa como performance; (iii) o entusiasmo com a escuta das histórias das crianças e com os acontecimentos que emergem a partir das performances de contação de histórias; (iv) a interação com as crianças, não apenas como interlocutoras, mas como coprodutoras de saberes e histórias. A abordagem da contação de histórias como performance foi escolhida nesta pesquisa por sua perspectiva crítica e inventiva: a noção de performance, ao ser compreendida como um elemento essencial da experiência humana, constitui uma ferramenta para problematizar as múltiplas relações da vida cotidiana, como as relações adulto-criança no contexto escolar. Nessa perspectiva, integram as práticas dessa pesquisa a criação de apresentação da Performance Ananse e a realização de oficinas de contação de histórias com crianças. Essas práticas e as histórias narradas pelas crianças nos levaram a problematizar temas como: colonialismo, racismo, violência, silencio e silenciamentos, interação adulto-crianças, culturas infantis, a importância de múltiplas histórias. Nesse processo, foi possível perceber que a contação de histórias como performance é uma experiência liminar que pode desestabilizar aquilo que nós, adultos, sabemos sobre a escola, sobre o contar histórias, sobre as crianças. Além disso, evidenciou-se que o protagonismo das crianças nas escolas é atravessado e limitado por enquadramentos disciplinares e pela assimetria de poder na relação adulto-criança. Concluímos que é relevante a perspectiva do protagonismo compartilhado, em que haja flexibilidade nas relações de poder adulto-criança, o que demanda do adulto abertura para lidar com suas limitações, para aprender com as crianças, para cocriar experiências interativas nas quais as crianças possam participar de escolhas pedagógicas, serem reconhecidas como autoras de suas histórias, produtoras de culturas e saberes.


Palavras-chave: Contação de histórias, Performance, Diversidade cultural, Educação, Crianças, Protagonismo infantil
 

Disponível em: http://repositorio.bc.ufg.br/tede/handle/tede/11652

OLIVEIRA, Joana Abreu Pereira de. Rodas e cortejos de aprender e criar: saberes e fazeres tradicionais na formação de artistas-docentes da cena. 2020. 263 f. Tese (Doutorado em Performances Culturais) – Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2020.


Resumo: Esta pesquisa tem como objetivo investigar os saberes e fazeres tradicionais nos processos de formação de artistas-docentes nas artes da cena. Para tal, parte de um trajeto empírico, buscando a reflexão na e a partir da prática, que foi desenvolvida de 2016 a 2019, na concepção e implantação da disciplina de Manifestações Dramáticas Populares, no curso de Teatro Licenciatura da Escola de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal de Goiás. No âmbito dessa disciplina, foram vivenciadas, por discentes e docentes, manifestações tais como o Bumba meu boi, a Congada, o Tambor de crioula, o Caroço e o Cacuriá, alternando o ambiente da universidade com aquele das comunidades detentoras dos saberes e fazeres tradicionais visitados. A partir das noções de descolonização, ancestralidade e pluriepistemologia, bem como do debate com os mestres e mestras, com o corpo discente e com autores integrantes de comunidades tradicionais, a tese propõe uma metodologia de abordagem performático-pedagógica para o estudo dos saberes e fazeres tradicionais nas licenciaturas em Artes da Cena. Resulta do processo a sistematização de estratégias (Vivências mediadas de aproximação; Encontros com mestres; Vivências em campo; Relatos do vivido e referências em movimento; Criações performático-pedagógicas) e a elaboração de dez princípios performático-pedagógicos (Mobilização do corpo, Reconhecimento da tradição, Dinâmica da tradição,
Coletividade, Relação com a ancestralidade, Partilha de saberes, Importância dos mestres/mestras, Capacidade de improvisação, Teatralidade, Tocar-cantar-dançar-contar) que orientam o trabalho. Constata-se ainda que a ampliação dos limites da universidade, no sentido de ousar organizar o tempo de outra maneira, realizar o aprendizado em outros espaços, estabelecer outras hierarquias, foi fundamental para o processo de ensino-aprendizagem proposto. Nesse processo, o contato com mestres e suas comunidades modificou percepções pedagógicas, estéticas e, principalmente éticas e sociais.


Palavras-chave: Performances culturais, Pedagogia das artes cênicas, Saberes tradicionais, Formação de professores, Pluriepistemologia


Disponível em: http://repositorio.bc.ufg.br/tede/handle/tede/10982

MACIEL, Ceila Portilho. Transcorporeidade e saber: narrativas performativas e indisciplinares por uma descolonização epistêmica. 2020. 340 f. Tese (Doutorado em Performances Culturais) – Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2020.

Resumo: Esta Tese tem por objetivo apresentar o conceito de transcorporeidade, desde a perspectiva dos saberes do corpo e se propõe a questionar a construção e elaboração do conhecimento, ainda regida por uma herança colonial – de perspectiva epistêmica eurocêntrica – e a crença no método tradicional da ciência moderna como paradigma hegemônico. A investigação no território das artes do corpo sensível e criativo, tendo como referência propostas metodológicas de prática como pesquisa, teve como desafio desenvolver uma corporeidade investigativa e uma metodologia própria, nascidas da experiência do campo e da performatividade indisciplinar, o que veio a desenhar-se como uma metodologia intuitivo-criativa. Os passos iniciais da pesquisa apontaram tanto para a necessidade da descolonização do pensamento e da corporeidade da própria pesquisadora, como para o alinhamento teórico com os movimentos de descolonização epistêmica. Neste percurso construiu-se um forte entrelaçamento de referências epistêmicas do sul global, mais especificamente de epistemologias tradicionais dos povos originários do Brasil e de origem afrolatinoamericana, entre outras, entretecendo uma perspectiva transepistêmica inclusiva, de coexistência e entrelaçamento de saberes. O germinar da noção de transcorporeidade apresentada na tese, e a percepção de diversas dimensões de manifestação da mesma, tornou-se eixo medular e elemento integrador das constelações de conceitos, saberes e experiências, com que a tese se envolve e toma corpo.


Palavras-chave: Estudos de performance, Pesquisa performativa, Corporeidade investigativa, Transcorporeidade, Metodologia intuitivo-criativa


Disponível em: http://repositorio.bc.ufg.br/tede/handle/tede/11289

GOMES, Morgana Barbosa. Epístolas profanas: performances dos silêncios manifestos. 2019. 213 f. Tese (Doutorado em Performances Culturais) - Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2019.


Resumo: As Epístolas Profanas são cartografias (Suely Rolnik, Roberta Romagnoli) elaboradas a partir de algumas pulsações que nos movem, a saber: as manifestações dos silêncios através de performances artísticas nas ruas; uma estética dos silêncios (Susan Sontag) construída na encruzilhada entre a arte, a filosofia e a antropologia contemporâneas; uma pesquisa performativa (Ciane Fernandes, Brad Haseman) cujo método implica na literatura epistolar como gênero de conhecimento. Partimos dos silenciamentos culturais das mulheres, dialogando com algumas pensadoras, como Djamila Ribeiro, Sueli Carneiro, Marcia Tiburi, Gloria Anzaldúa, Grada Kilomba, Chimamanda Adichie, Gayatri Spivak, Judith Butler, Simone de Beauvoir, Michelle Perrot, dentre outras, até as manifestações desses silêncios através de performances artísticas e culturais (Eni Orlandi, Richard Schechner, Paul Zumthor). Esta cartografia epistolar é uma composição de cartas trocadas com leitoras, artistas, professoras, alunas, pesquisadoras, testemunhas, colegas e amigas interessadas, entre outras destinatárias reais e fictícias, como cidades e entidades personificadas, personagens artísticas e conceituais, dialogando com as referências que constituem o corpo do trabalho. As cartas referem-se a questões emergentes das nossas experiências práticas, desde os programas artísticos Estética do Silêncio (BA, 2015) e Estética do Silêncio (GO, 2019), até as performances artísticas Poemas & Sussurros, Epístolas Profanas, Mulher Elefanta, Constelação Silenciosa, Bela do Silêncio, Senhora do Silêncio e Mandalas dos Silêncios que desempenhamos nas ruas de algumas cidades brasileiras, entre
Bahia, Brasília e Goiás (2015-2019). Referenciamos escritoras que manifestaram seus silêncios na literatura (Cora Coralina, Clarice Lispector, Hilda Hilst, Lya Luft, Virgínia Woolf, Franz Kakfa), dentre artistas de outras linguagens, nos correspondendo com pesquisadoras brasileiras contemporâneas dos silêncios nas artes. Nesta pesquisa performativa, experimentamos uma síntese entre sujeito e objeto, teoria e prática, conteúdo e forma, método e criação, podendo colaborar para as epistemologias e metodologias de pesquisas em/com artes, nas abordagens interdisciplinares das Performances Culturais.


Palavras-chave: Silêncios, Performances artísticas, Cartografia epistolar, Pesquisa performativa


Disponível em: http://repositorio.bc.ufg.br/tede/handle/tede/10184